Manaus mostra os efeitos da privatização do saneamento

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Já são mais de 19 anos da privatização do saneamento de Manaus, a maior capital da floresta amazônica banhada pela maior bacia hidrográfica do mundo. Acontece que nada melhorou: bairros periféricos ainda não tem acesso abastecimento com água potável e somente 10,18% do esgoto é coletado em toda capital. Ou seja, 90% do esgoto diário é jogado em córregos, igarapés, lagos e no rio Negro. No ranking do saneamento do ano passado, Manaus aparece na 5ª colocação entre cidades com piores indicadores de saneamento básico do Brasil (https://glo.bo/2VyXAdl). O que se ouve falar da privatização nessas duas décadas, até agora, são sobre as centenas de milhões de reais em concessões que já passaram nas mãos de quatro concessionárias, com prorrogações de contrato e alívio de metas.

⚠️LINHA DO TEMPO DO NEBULOSO PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA DE MANAUS E OS MERCADOS FUTUROS DO SETOR “ÁGUA”

• 20 anos atrás, a cidade de Manaus junto com o governo do estado decidiram privatizar o sistema de saneamento básico da capital, que era responsabilidade da Cosama (Companhia de Saneamento do Estado);
• É criada a Manaus Saneamento, com o “acervo” de saneamento da cidade, a maior concessão privada do país no setor banhada pela maior bacia hidrográfica do mundo;
• Em junho de 2000, a concessionária “Águas do Amazonas”, sob comando do grupo Suez (maior empresa mundial do setor de água), ganha a concessão para explorar o serviço de saneamento por 30 anos, renovável por mais 15;
• Em 2005, depois de uma Audiência Pública, foi instalada uma CPI pela Câmara Municipal para averiguar o cumprimento das implantações acordadas no cronograma do Contrato de Concessão por parte da “Águas do Amazonas”.
• No mesmo período, o grupo Suez faz um realinhamento estratégico e resolve deixar de participar de concessões de saneamento no Brasil (página 100, do livro de 80 anos da Suez, link abaixo). Em Manaus, a concessionária alegou ter sido enganada por informações sobre o sistema da cidade (https://bit.ly/2WYk9Iy).
• Com metas reduzidas, o “Águas do Amazonas” virou a “Manaus Ambiental”, da Companhia de Saneamento do Norte (CSJ), sob controle do Grupo Solví, com as empresas brasileiras e, novamente,o grupo Suez.
• Em 2006, chegava investimento federal para ajudar a “Manaus Ambiental”, com contrapartidas financeiras da prefeitura e da concessionária (https://bit.ly/2WYk9Iy);
• A “Manaus Ambiental” compra a “Água do Amazonas” (https://bit.ly/2WYk9Iy)
• Em 2012, nova CPI da Água na Câmara Municipal produz relatório cobrando responsabilidade dos últimos três prefeitos (https://bit.ly/2WYk9Iyhttps://glo.bo/2YZEUWd);
• No mesmo ano, ainda sem qualquer evolução no saneamento da capital, é criada a “Águas do Brasil” e o contrato de concessão é, inexplicavelmente, prorrogado por novos 30 anos, com encerramento em 2042 (https://bit.ly/2U70apd);
• Em 2018, 6 anos depois, a Aegea Saneamento, controlada pelo grupo Equipava que atua em setores como mineração e engenharia, compra a “Águas do Brasil”, que virou a “Água de Manaus” (https://bit.ly/2uT5IcV).
• A Aegea é hoje a maior companhia privada de saneamento do Brasil, com 49 concessões pelo Brasil.

Fonte: Água, sua linda

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