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Fórum Social Mundial
2012
sexta-feira,
30 de janeiro de 2012
Escrito
por Frei Betto
Terça, 17 de Janeiro de 2012
Porto Alegre abrigará, de 24 a 29
deste mês de janeiro, o FSM (Fórum Social Mundial)
centrado no tema “Crise capitalista – justiça
social e ambiental”. O evento é uma das atividades
preparatórias da Cúpula dos Povos da Rio+20,
que se reunirá na Cidade Maravilhosa entre 20 e 21
de junho de 2012.
O FSM se realiza no momento em que vários
povos se movimentam por liberdade e democracia, como ocorre
no mundo árabe. No Ocidente, a crise do capitalismo
suscita o movimento Ocupem Wall Street. As duas manifestações
têm em comum clareza quanto ao que não se quer,
sem, no entanto, apresentar propostas alternativas viáveis.
No último 15 de outubro, houve mobilizações
em quase 1000 cidades de 82 países! No mundo andino,
povos indígenas questionam o modelo capitalista de
desenvolvimento e resgatam os valores do bem viver - sumak
kawsay.
Como resultado da incompetência de
um sistema que prioriza a acumulação privada
da riqueza em detrimento dos direitos humanos, sociais e ambientais,
o capitalismo conhece, agora, nova crise. Diante dela, a reação
dos donos do poder é o samba de uma nota só:
austeridade, cortes, aumento de impostos e desemprego, flexibilização
das leis trabalhistas, congelamento de salários.
Salvam-se os bancos e dane-se a população.
Mais miséria à vista; jovens sem perspectiva
de futuro, condenados à droga e ao crime; fluxos migratórios
desordenados.
Do lado da esperança, e após
três décadas de globocolonização
neoliberal, as manifestações sinalizam valores
positivos como a empatia pelo sofrimento alheio, a solidariedade,
a defesa da igualdade, a busca de justiça, o reconhecimento
da diversidade e a preservação ambiental. Sem
esse universo ético não há esperança
de se construir um outro mundo possível.
É preciso reinventar a convivência
humana. E, da parte dos donos do poder, não há
nenhuma proposta fora da preocupação de não
refrear a roleta do cassino global. A crise ambiental é
ignorada pela ONU, pelos governos dos EUA e da União
Européia, e nada garante que a Rio+20 conseguirá
reunir, como na Eco-92, chefes de Estado dos países
do G8.
Mercantiliza-se a vida, destroem-se os ecossistemas,
reduz-se rapidamente a biodiversidade. Em todo o planeta,
acentuam-se os empreendimentos extrativistas, sem nenhuma
preocupação com seus impactos sociais e ambientais.
Áreas fundiárias são descaradamente transnacionalizadas
em países do Terceiro Mundo.
Em Belém 2009 e Dakar 2011, o FSM
deu passos significativos na busca de alternativas ao desenvolvimentismo
e ao consumismo, tendo em vista a preservação
ambiental. Agora, a luta social é oxigenada pela busca
de democracia e soberania nos países árabes,
e as amplas manifestações, na Europa e nos EUA,
contra a lógica necrófila do neoliberalismo.
Se outro mundo é possível,
isso se dará a partir da convergência de todas
essas mobilizações, da sincronia entre todos
que lutam pela preservação ambiental, do diálogo
entre as forças sociais e políticas convencidas
de que dentro do capitalismo não há salvação
para o futuro da humanidade.
O FSM de Porto Alegre 2012 deverá
ser o ponto de encontro de sujeitos políticos capazes
de apontar uma saída para a crise e as bases de construção
de um novo modelo civilizatório, no qual predomine
a globalização da solidariedade. E dele poderão
brotar propostas temáticas para abastecer aqueles que,
em junho, se encontrarão na Cúpula dos Povos
(Rio+20).
A dinâmica do FSM 2012 será
à base de grupos temáticos, de modo a acolher
experiências e contribuições dos participantes
em torno de quatro eixos transversais: 1. Fundamentos éticos
e filosóficos: subjetividade, dominação
e emancipação; 2. Direitos humanos, povos, territórios
e defesa da Mãe-Terra; 3. Produção, distribuição
e consumo: acesso à riqueza, bens comuns e economia
de transição; 4. Sujeitos políticos,
arquitetura de poder e democracia.
Mais informações: http://www.fstematico2012.org.br/index.php?link=48;
www.dialogos2012.org ;
grupostematicosfst(0)gmail.com; fstematico2012(0)gmail.com
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