|
Pesquisa diz que más
condições de trabalho afetam saúde mental
segunda-feira,
05 de setembro de 2011
Data: 22/08/2011
/ Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG
Belo Horizonte/MG - Cansaço, nervosismo e insatisfação
no trabalho podem ser sintomas do que os especialistas chamam
de "Distúrbios Psiquiátricos Menores",
as DPM, como ansiedade, depressão ou estresse.
Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina da UFMG
constatou que entre os trabalhadores do setor de serviços
o problema é maior do que se podia prever.
Foram analisados cerca de 2,5 mil trabalhadores de um banco
brasileiro de grande porte, sorteados aleatoriamente em todas
as capitais brasileiras. Dentre os participantes, 43% apresentaram
algum tipo de DPM, associadas principalmente às más
condições de trabalho.
O levantamento foi feito por meio de questionários
autoavaliativos. Para avaliar a autopercepção
dos trabalhadores foi perguntado a eles: "em geral, você
diria que a sua saúde é", com cinco opções
de resposta, variando de excelente a muito ruim.
Dez por cento dos entrevistados avaliaram sua saúde
como "ruim" ou "muito ruim". "E essa
percepção é confirmada nos demais resultados
da pesquisa", destaca o autor e médico Luiz Sérgio
Silva.
As causas dos distúrbios são variadas, mas
as mais comuns são falta de controle sobre as próprias
funções, pressão da chefia, imposição
de decisões de forma vertical e falta de apoio dos
colegas.
Dentre trabalhadores expostos a altas demandas psicológicas
e com baixo controle sobre o trabalho, a prevalência
de DPM foi três vezes maior. O mesmo ocorreu com aqueles
que trabalham sob condições de muito esforço
e baixa recompensa.
"Estamos falando de pessoas jovens, ativas e que vivem
no meio urbano. Mesmo assim, sua autoavaliação
das condições de saúde foi muito ruim",
analisa a epidemiologista Sandhi Maria Barreto, orientadora
do estudo e professora do Departamento de Medicina Preventiva
e Social da Faculdade de Medicina da UFMG.
"A autoavaliação da saúde é
uma das formas mais eficientes de prever futuras internações
e problemas mais sérios", analisa a orientadora.
"Há possibilidade de que esses dados sejam ainda
mais alarmantes, porque esses distúrbios podem se intensificar
e agravar", pondera.
Falta reconhecimento
"O trabalhador ainda sofre com as consequências
do movimento de automação das empresas",
pondera Luiz Sérgio, para quem o aumento da velocidade
do processo produtivo a partir das novas tecnologias também
levou o trabalhador a desempenhar várias funções
simultâneas e concentradas em poucos indivíduos.
O reconhecimento da qualidade do trabalho, a gestão
horizontalizada e o rodízio de funções
são algumas das medidas sugeridas pela médica
como formas de melhorar o ambiente de trabalho e a qualidade
de vida dos trabalhadores. "Essas recomendações
podem ser extrapoladas para todas as empresas do setor de
serviços."
Mais do que um problema de trabalho, os altos índices
de Distúrbios Psiquiátricos Menores são
uma questão de saúde pública. "E
não há outra forma de diminuir os altos índices
de incidência de distúrbios, senão revendo
as condições de trabalho dentro das empresas",
garante a professora, que recomenda que empresas da área
adotem formas de gestão mais humanizadas.
As DPM pioram a qualidade de vida dessas pessoas, diminuem
sua produtividade e podem levá-las ao afastamento temporário.
Por isso, a longo prazo também constituem um problema
econômico.
Link: http://www.protecao.com.br/site/content/noticias/noticia_detalhe.php?id=J9yAA5jg&utm_campaign=Prote%25E7%25E3o%2BNewsletter%2BEd.%2B33%252F11&utm_medium=email&utm_source=clients |