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Painel traz experiências
internacionais de resistência e luta contra a privatização
da água.
quinta-feira,
28 de julho de 2011
Publicado
em qui, 21/07/2011 - 14:30
Na manhã dessa quinta-feira (21),
os participantes do Seminário Internacional: Panorama
político sobre estratégias de privatização
da água na América Latina trocaram experiências
de luta e resistência em defesa da água em diversos
países.
Ricardo Canese, do Paraguai, compartilhou
a pauta dos povos originários atingidos pela hidrelétrica
de Itaipu. Além de indenização, eles
reivindicam 50 mil hectares para a reconstituição
dos sistemas nativos de suas terras ancestrais, destruídos
quando houve a construção da usina.
Ele também questionou a construção
de novos empreendimentos enquanto Itaipu desperdiça
um total de 8 milhões de MWh por ano, o suficiente
para abastecer 240 mil famílias.
Ranufo, da União Nacional de Camponeses,
de Moçambique, falou sobre o processo de privatização
da água em seu país, que se dá através
do processo de parcerias público-privadas, com recursos
do Banco Mundial, FMI e sob os interesses de países
como a China.
Ele destacou as lutas populares dos dois
últimos anos no país, em especial o levante
popular de 1 e 2 de setembro de 2010, quando o povo tomou
as ruas para protestar contra o aumento do preço da
água e dos combustíveis. A manifestação
foi brutalmente reprimida, mas teve êxito em baixar
as tarifas. Ele destacou a importância para os movimentos
sociais de aprender com esse tipo de processo. Maria Teresa,
do Movimento Terras e Águas, falou da luta em defesa
da Serra da Gandarela, uma área com mais de mil nascentes
que abastecem a região metropolitana de Belo Horizonte,
em Minas Gerais.
Esse território é ameaçado
por projetos de mineração da Vale, que quer
implantar na região seu segundo maior empreendimento
depois de Carajás (PA). Ela destacou o processo de
resistência de articulações em torno da
OCMAL (Observatório de Conflitos Minerários
da América Latina) e Atingidos pela VALE, que defendem
a criação de um parque nacional no local.
Luis Infanti, do Chile, falou sobre a defesa
da Patagônia, no extremo sul da América. Um dos
locais mais abundantes em água doce não contaminada
no mundo, antes “esquecida”, a região passou
a ser privatizada em um processo indiscriminado de compras
de terras inclusive por estrangeiros. Hoje, 82% da água
na Patagônia chilena e 96% na argentina pertencem a
uma empresa italiana.
No processo de defesa das águas da
Patagônia, Infanti destacou a criação
do Movimento Patagônia sem Represas, que reúne
60 organizações. Com uma estrutura que conta
com setores técnico, jurídico, de comunicação,
de relações internacionais, o movimento consegue
atuar em diversas frentes e fazer o debate da propriedade
da água.
Infanti também trouxe informes sobre
o referendo da água na Itália, no qual 95,7%
dos eleitores votaram pela abolição de leis
que possibilitavam a privatização dos serviços
municipais de água.
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