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Organizações
sociais consideram que privatização do serviço
de água trará prejuízos para a população
quinta-feira,
28 de julho de 2011
Publicado
em qui, 21/07/2011 - 14:34
Isabela Vieira, da Agência Brasil
A privatização das empresas
públicas de abastecimento de água e tratamento
de esgoto poderá ter como consequência o aumento
nas contas de água e a diminuição dos
investimentos no setor. O alerta é das organizações
sociais que participaram de seminário que discutiu
como a população pode se organizar para impedir
que as empresas sejam vendidas.
De acordo com representantes do Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB), 90% da rede de distribuição
de água no país são controlados por empresas
públicas, com uma cobertura de quase 100% das grandes
e médias cidades. Para o MAB, um negócio que
não requer grandes investimentos e pode movimentar
anualmente cerca de R$ 120 bilhões, mais que todo setor
elétrico, desperta o interesse da inciativa privada.
Sob o controle das empresas particulares,
a consequência imediata é o aumento abusivo dos
preços, segundo um dos diretores do MAB, Gilberto Cervinski.
No município de Santa Gertrudes, em São Paulo,
onde o sistema foi privatizado em 2010, os preços triplicaram
em seis meses."Isso ocorre por causa do modelo de reajuste
estabelecido com base em preços internacionais. No
caso do setor elétrico, depois da privatização,
os preços subiram 400%", disse.
Em Rondônia, segundo representantes
do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Água
e Energia, empresários assediam vereadores. A entidade
também denuncia que em municípios do estado
as prefeituras têm, inclusive, atropelado processos
legais como a licitação para a concessão
do sistema de abastecimento, como ocorreu em Ariquemes. Contrários
à privatização, os sindicalistas avaliam
que as empresas privadas investirão menos na ampliação
da rede e, principalmente, em saneamento.
Juscelino Eudâmidas Bezerra, doutorando
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), disse que pesquisas
internacionais estimam que, até 2015, 60% da capacidade
de abastecimento da América Latina sejam privatizados.
De acordo com ele, nos países ricos, onde a ideia da
privatização surgiu, os governos estão
voltando atrás.
"O Estado francês, onde surgiram
as primeiras experiências de concessão do sistema
de distribuição de água, está
reestatizando todo o serviço. Eles viram que a qualidade
do serviço e da água caíram, os preços
subiram exorbitantemente e o serviço não foi
universalizado", disse.
O MAB também ressaltou que a Itália,
por meio de referendo, decidiu, em junho passado, que o sistema
de água deve ser gerido por empresas públicas.
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