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Boa, mas difícil
de cumprir.
A Lei Nacional de Saneamento Básico
está em vigor há mais de três anos, mas
nem todo o tempo transcorrido desde sua sanção
foi suficiente para que uma de suas principais determinações
se transformasse em realidade.
segunda-feira,
15 de março de 2010 - 08h30
A
Lei Nacional de Saneamento Básico está em vigor
há mais de três anos, mas nem todo o tempo transcorrido
desde sua sanção foi suficiente para que uma
de suas principais determinações se transformasse
em realidade.
Essa lei, que define as diretrizes para a
ação do poder público no setor ? entre
as quais o atendimento de todos os brasileiros com redes de
abastecimento de água e de coleta de esgotos, que deverão
ser tratados antes de serem devolvidos ao meio ambiente ?,
estabeleceu que, para alcançar a meta da universalização,
todas as prefeituras responsáveis pelos serviços
de água e esgoto deveriam apresentar um plano municipal
de saneamento básico até o fim deste ano. De
acordo com a lei, somente os municípios que tiverem
seus planos de saneamento básico aprovados pelas respectivas
Câmaras Municipais no prazo poderão continuar
recebendo recursos federais para obras nessa área.
O que se constata agora é que muito
poucos municípios conseguirão cumprir o prazo.
Não há ainda números oficiais, pois eles
só serão conhecidos quando o Ministério
das Cidades divulgar o novo Diagnóstico dos Serviços
de Água e Esgotos (o mais recente é de 2007,
ano em que entrou em vigor a Lei Nacional de Saneamento Básico).
Uma organização privada sem fins lucrativos
que se dedica ao tema, o Instituto Trata Brasil, estima que
"nem 300 cidades ? de um total de 5.564 municípios
em todo o País ? têm planos adequados",
conforme declarou seu presidente executivo, Raul Pinho, ao
jornal Valor.
Essa situação mostra que, ao
fixar o prazo para a elaboração dos planos municipais,
os autores da lei, embora com as melhores intenções
? entre as quais a de pressionar os municípios a se
engajarem na batalha para levar o saneamento básico
a toda a população e, desse modo, eliminarem
um dos principais focos de doenças que elevam a taxa
de mortalidade infantil no Brasil ?, não levaram em
conta uma dura realidade administrativa e política
do País. A grande maioria das prefeituras não
tem condições financeiras nem dispõe
de quadros técnicos para elaborar planos como os definidos
na lei.
Além de necessário para permitir
que os municípios recebam recursos federais, o plano
municipal de saneamento é essencial para definir objetivos
e metas, os meios para alcançar essas metas e as condições
econômico-financeiras da operação do sistema,
inclusive critérios para a fixação de
tarifas.
Em São Paulo, muitas prefeituras renovaram
os contratos de prestação de serviços
com a Sabesp, que forneceu os elementos básicos para
a elaboração dos planos municipais. Em Santa
Catarina, o governo do Estado financiou a elaboração
de planos de municípios com mais de 50 mil habitantes.
Os projetos do governo federal preveem grandes
investimentos em saneamento básico. O Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) ? principal peça de propaganda
do governo Lula e uma das principais peças da campanha
da pré-candidata governista à Presidência,
Dilma Rousseff ? prevê a aplicação de
R$ 10 bilhões por ano no período 2007-2010.
É possível que, em 2011, o montante disponível
na esfera federal para aplicação em saneamento
básico chegue a R$ 11,4 bilhões, sendo R$ 5,3
bilhões do FGTS, R$ 2,5 bilhões do Fundo de
Amparo ao Trabalhador e R$ 3,6 bilhões do Orçamento
da União.
São esses recursos que milhares de
municípios, embora carentes de serviços de saneamento
básico, deixarão de receber se as regras atuais
forem mantidas e o governo federal estiver disposto a cumpri-las.
É provável, porém, que, como ocorreu
em outras oportunidades, se chegue a uma falsa solução:
a extensão, por um ano, do prazo para as prefeituras
interessadas em receber recursos federais concluírem
os planos. A prorrogação poderá ser autorizada
pelo decreto de regulamentação da Lei Nacional
de Saneamento Básico, cuja minuta está em exame
no Palácio do Planalto.
Se isso ocorrer, o problema será empurrado
para o fim de 2011. O melhor é encontrar um meio de
o Ministério das Cidades ou os governos estaduais,
diretamente ou por meio de suas companhias de saneamento,
auxiliarem as prefeituras com menos recursos financeiros e
técnicos a elaborar seus planos.
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