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Por que 80% dos empregos
gerados no Brasil são de apenas E tão somente
de até 2 salários mínimos?
Geraldo Serathiuk - Advogado, especializado
pelo IBEJ-PR e com MBA em Marketing pela UFPR
quarta-feira,
10 de março de 2010 - 08h08
Ao
ler informações do movimento sindical sobre
a situação dos salários no Brasil, proponho
uma reflexão.
A elite brasileira impôs historicamente um projeto de
desenvolvimento para o Brasil baseado na exportação
de matéria-prima (açúcar, farelo, madeira,
minério, carne in natura etc.), sem transformação
e agregação de valor aos nossos produtos, o
que nos colocou muito mal na divisão internacional
do trabalho e ainda nos trouxe degradação ambiental,
concentração da terra, migração
para as grandes cidades e criminalidade.
Por isso para o povo brasileiro: "80%
dos empregos gerados no Brasil são de no máximo
2 salários mínimos ou para os que não
conseguem um emprego, o Estado como caixa de compensação
e de estabilização do setor produtivo, que usa
da mais alta rotatividade de mão de obra do mundo para
pagar baixos salários, oferece uma bolsa compensatória
ou assistencial, para manter este modelo de exclusão
e concentração da riqueza, e caso não
se aceite, polícia e presídios, para os que
seguem outro caminho".
Para nos ajudar a explicar isto o economista
Gustavo Santos do BNDES nos mostra que o Brasil tem um alto
déficit de US$60 bilhões em metal-mecânica,
química e eletrônica.
"O Brasil não é um país
industrializado, apenas detém algumas regiões
desenvolvidas. E propõe o desenvolvimento de indústrias
dos setores metal-mecânico, químico e eletrônico,
a exemplo de outros países".
O Brasil seria desenvolvido em uma geração,
se a capacidade produtiva dessa industria aumentasse a ponto
de gerar superávit em sua balança comercial,
afirma Gustavo.
Lembrando também que as exportações
do setor eletrônico foram um passo imprescindível
no desenvolvimento do Japão, Coréia do Sul,
de Taiwan e da China.
E continuando nos mostra que precisamos
de uma política industrial orientada pelo Estado, com
apoio dos bancos públicos, instituições
de tecnologia e universidades, do contrário, os brasileiros
continuarão a dar duro para receber baixos salários
ou uma bolsa compensatória e assistencial.
E como nos ensinou Celso Furtado este modelo
econômico serve apenas para sustentar o padrão
de consumo da elite brasileira enquanto o trabalhador tem
que se conformar com uma bolsa compensatória ou assistencial.
Por isso revela que temos que estar empenhados
nas lutas sociais a favor de mudanças. Como apoiar
a luta pela reforma agrária e por mais recurso para
a agricultura familiar.
A luta pela mudança de padrão
de consumo que agride ao meio ambiente.
A luta por mais recurso para os ensinos
infantil, básico, fundamental e médio. A luta
por uma reforma tributária que de um basta à
sangria dos minguados ganhos dos trabalhadores, enquanto as
grandes fortunas e os grandes proprietários pouco pagam
de tributos.
A luta por uma política industrial
com aplicação mais recurso para a ciência
e tecnologia para sairmos da condição de exportador
de produtos primários para industrializados, para agregar
valor aos salários.
A luta contra o modelo urbano que faz as
cidades reféns dos especuladores urbanos, do lobby
do transporte coletivo, dos especuladores imobiliários,
do lixo etc.
A luta para alterar a política de
juros que sangra a economia e a população, subordinando
o Banco Central aos trabalhadores e ao setor produtivo, para
que a população cada vez mais tem acesso ao
crédito.
A luta pela reforma política e pela
democratização dos meios de comunicação.
Enfim lutar por mudanças para que
o Estado brasileiro não seja apenas uma câmara
de compensação e estabilização
para manter os trabalhadores calmos e tranqüilos, ou
se caso, precise, chamem a política e aumente as vagas
nos presídios.
Os democratas e progressistas, que leram
pelo menos um pouquinho da literatura clássica sôbre
a teoria de Estado colocada por Marx, Lênin, Poulantzas
e Arthusser sabem que eles mostraram o Estado como aparelho
de classe, impondo através da força e das suas
correias de transmissão à ideologia do aceite,
e que foi aprofundada por Claus Offe e James O'Connors, nos
mostrando o Estado como uma câmara de compensação
e de estabilização de um sistema produtivo injusto,
concentrador e excludente, que recebe os impostos e repassa
em políticas compensatórias e assistenciais
para manter o exército de reserva calmo e sem revolta.
Por isso não basta aos democratas
e progressistas fazer apenas o papel de gerenciador da câmara
de compensação e de estabilização,
sendo somente de gestores de políticas compensatórias
e assistenciais.
É preciso sim lutar pela mudança
do modelo econômico como nos ensinou Celso Furtado em
seu livro "Em busca de novo modelo", para que os
trabalhadores brasileiros não tenham como futuro apenas
conseguir um emprego para ganhar no máximo até
2 salários mínimos. |