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Fenômeno El Niño
aumenta temperatura no Nordeste.
terça-feira,
27 de outubro de 2009 - 16h13
Elisa Elsie
Sombrinhas ajudam a proteger o natalense
do solSombrinhas ajudam a proteger o natalense do sol Sucos,
picolés, sorvetes e muita água gelada são
os frequentes acompanhantes de quem vive numa cidade onde
os termômetros marcam até 38º C durante
o dia. Sob influência do fenômeno climático
El Niño, todo o litoral nordestino está registrando
temperaturas mais altas do que o normal para este período,
que ainda não marca a estação de verão.
Em Natal, até a temperatura mínima está
alertando os meteorologistas: a madrugada marca 25º.
Para driblar o calor, existem algumas saídas.
Em casa, ventilador e ar condicionado. Nas ruas, sombrinhas,
chapéus e protetores solar. As lojas de refrigeração
e eletrodomésticos já registram um aumento de
50% nas vendas desde setembro, mesmo ao custo de R$1.300 o
aparelho mais simples de ar condicionado split e até
R$ 200 o ventilador mais moderno. A tendência é
que essa procura aumente ainda mais, já que dezembro
e janeiro geralmente são os meses mais quentes do verão.
Além disso, as pessoas tendem a consumir
mais água no banho ou na ingestão de líquidos
a fim de permanecerem hidratadas. Todos os anos, a Caern registra
um aumento médio de 0,7 milhões de metros cúbicos
no consumo mensal entre outubro e março, o que significa
que são consumidos 70 milhões de litros de água
a mais por mês (ver infográfico) neste período.
A professora Célia Fortes veio de Belo Horizonte e
está sempre acompanhada de uma garrafinha de água
mineral. “Onde eu moro o sol não é tão
forte assim e, como eu tenho a pele branca, preciso me proteger.
Passei protetor, comprei uns chapéus na praia e estou
tomando água o tempo todo”, disse a turista que
só sai de chapéu.
A comerciante Kelma Ramos é outra
que não deixa de se proteger. Quando o sol está
muito forte, ela leva a sombrinha a tiracolo para evitar possíveis
problemas futuros. “Meu marido não gosta porque
acha que atrapalha, mas sempre que está muito quente,
como hoje (ontem), eu só saio com a sombrinha”,
disse. Mas Kelma também é dona de sorveteria
e agradece o calorão. “As vendas aumentam mais
de 80% nessa época de calor intenso. De manhã,
de tarde e de noite, tem cliente querendo comprar sorvete
e picolé”.
O meteorologista Gilmar Bristot, da Empresa
de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn),
avisa que o calor vai aumentar ainda mais, já que é
provável que o El Niño continue influenciando
as temperaturas. “Novembro vai ficar um pouco mais quente
porque o fenômeno vai ficar até o fim do ano
e a tendência é que o calor aumente já
que o Sol vai se aproximando mais da linha do Equador”.
Os termômetros marcam 31º à tarde, mas em
alguns locais, como no Alecrim, a temperatura chega a 38º
C.
Cuidados necessários durante o verão
Já que está comprovado que
o calor ainda vai permanecer por um bom tempo na capital potiguar,
especialistas dão alguns conselhos para aqueles que
querem se proteger da incidência solar. Protetor solar
todos os dias, roupas leves e claras, muita ingestão
de líquidos e frutas são as recomendações
principais. Crianças e idosos são os que devem
tomar cuidados especiais e redobrar a atenção
nessa época de fortes temperaturas porque queimaduras
e problemas respiratórios podem aparecer com mais frequência.
Segundo o geriatra Francisco Arnaud, o calor
pode interferir na pele e nos aparelhos respiratório,
digestivo e urinário dos idosos. Como há muita
perda de líquido no verão e os idosos já
costumam beber menos do que o necessário, o recomendável
é que eles bebam, no mínimo, dois litros de
água, sucos ou chás todos os dias. “O
idoso tende a ter mais problemas respiratórios se estiver
desidratado. Além disso, eles podem ter problemas intestinais,
como a constipação, a problemas de pele por
causa dessa desidratação”, explicou.
Mas é nas crianças que está
a maior preocupação, já que são
nelas que o calor tem maior repercussão. Segundo o
pediatra Ney Fonseca, a perda de líquidos tem consequências
mais graves e a pele da criança é mais sensível
aos raios solares. “Nós vivemos em uma região
que já é quente e está piorando ainda
mais. Hoje, os médicos nem aconselham mais o banho
de sol e, sim, o banho de claridade, para que a criança
só receba os raios solares indiretamente”, disse.
Crianças acima de seis meses devem
usar protetor solar fator 30 e roupas frescas, leves e claras.
Outra preocupação é um futuro câncer
de pele. Como a doença é cumulativa, ela pode
aparecer em um adulto que teve muita exposição
aos raios solares quando criança. “Essa é
a principal fase para prevenção. As sombrinhas
de praia não protegem quase nada as crianças,
porque o calor que ela recebe é o mesmo”, disse
Ney Fonseca. Então nada de levar o pequeno para passear
depois das 10 horas.
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