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Quando o alto salário é fonte de pressão.
por Valéria Ignácio - Canal Rh - quarta-feira, 9 de setembro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009 - 08h15

A economia estava aquecida e o mercado de trabalho também. Foi nesse cenário que uma consultora de comunicação – que prefere manter o anonimato – recebeu uma boa oferta de trabalho e decidiu pela mudança de emprego. O que ela não sabia é que a proposta salarial recebida fugia do padrão de remuneração praticado na empresa onde estava chegando. O resultado disso foi ser recepcionada pelos novos colegas – pares e subordinados – num clima pouco amistoso. No cargo estratégico que passou a ocupar, os colegas do mesmo nível hierárquico sentiam-se desprestigiados.

“Sempre acreditei na minha capacidade e no meu potencial e, aos poucos, fui conquistando o respeito e a confiança de todos”, conta a consultora. Essa postura tranquila e a sua segurança profissional permitiram que ela não fosse afetada pela pressão, inicialmente exercida especialmente pelos pares. Mas, como ela tinha contratualmente direito a uma remuneração variável de acordo com resultados, as bonificações mensais entre 15% e 30% do salário levaram-na a receber o equivalente ao salário do superior imediato. Nesse momento, relata, os comentários do chefe começaram a incomodá-la.

No mundo corporativo, não são poucos os relatos de pessoas que ouvem de seus líderes que são os profissionais mais bem remunerados da equipe, como forma de pressionar pelo resultado.

Para a consultora jurídica Cristina Buchignani, advogada-sócia do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, a bonificação é um instrumento de diferenciação legítimo, especialmente válido para a retenção de talentos. Entretanto, as empresas devem, no seu entendimento, estar atentas à moderação em relação à cobrança de metas e resultados. “Na visão de mundo moderna, respeito e colaboração ganham destaque e as empresas estão preocupadas com os aspectos de assédio moral, especialmente pela sua subjetividade”, afirma.

A especialista acredita que esse está entre os grandes desafios enfrentados pelos departamentos de Recursos Humanos hoje. “Por isso, os investimentos das corporações voltados para a educação no trabalho são crescentes”, observa. Segundo Cristina, nas relações de trabalho que têm como tônica a constante cobrança de resultados agressivos, mesmo os profissionais mais preparados e qualificados podem responder com sintomas que apontam o comprometimento da saúde, como estresse, insônia, irritação, depressão (a chamada síndrome de “Burnout”) e baixa auto-estima, entre outros.

Além da contaminação negativa do clima no ambiente de trabalho, alerta a advogada, coloca-se em risco não só a saúde dos colaboradores, mas o propósito de retenção de talentos. “Também é importante lembrar que a situação pode ter repercussão indenizável”, diz. No caso de executivos, os processos judiciais são pouco comuns, pela exposição junto ao mercado de trabalho. Mas estão crescendo, de forma geral, informa.

No caso da consultora de comunicação que relatou a pressão vivida no novo emprego, motivação, alinhamento estratégico e os bons resultados apresentados por ela permitiram enfrentar o clima desagradável e os comentários maldosos. Mas a profissional aponta a necessária atenção que as empresas devem ter com suas políticas de remuneração para não desequilibrar as equipes e comprometer a harmonia.

Investimento da alta produtividade

Se no momento pós-crise, a situação mais comum no mercado de trabalho é de oferta de salários menores na comparação com as crescentes exigências por resultados, ainda há nichos em que o investimento na alta produtividade dos colaborares tem trajetória diferente. Para o caçador de talentos Javan Queiroz, diretor da Javan Partners Consultores, a premissa de que o salário é determinante perde importância diante da oferta de certas oportunidades.

Ele cita como exemplo a proposta diferenciada de uma multinacional para a qual sua empresa vem realizando recrutamento e afirma que “a chance de crescimento profissional e pessoal fala mais alto”. Nesse caso, o profissional selecionado participará de um programa de coaching e, após o período de dois anos ocupando um cargo do coordenação, passará a controller. Essa condição tem interessado mais aos candidatos do que o salário “porque os profissionais estão dispostos a investir na carreira”, diz.

Sobre a pressão por resultados, Javan concorda que a qualidade do clima organizacional é relevante para determinar produtividade e o cumprimento de metas, mas observa que as novas lideranças corporativas estão atentas a isso. “Hoje, as empresas valorizam muito mais um equilíbrio de competências e apostam em treinamentos com foco no aspecto comportamental”, observa, lembrando que, na maioria dos casos, o resultado não precisa mais ser atingido a qualquer custo.

 

FONTE: por Valéria Ignácio - Canal Rh. Visite o www.canalrh.com.br . Disponível em: http://www.sindagua.com.br/noticias/2009/16-09-09_quando_alto_salario.pdf
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