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Brasileiro não tem saneamento, mas pensa que tem, diz Ibope.
A pesquisa ouviu moradores das maiores cidades do País.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 21h00

Um problema silencioso e perigoso para a sociedade. Grande parte dos brasileiros acha que tem saneamento básico, quando, na realidade, não dispõe deste serviço essencial. Quem revela é o Ibope: apesar de 69% da população do País que reside em cidades com mais de 300 mil habitantes não ter acesso à rede de esgoto, 77% acham que, sim, estão ligados à rede pública.

A pesquisa ouviu 1.008 moradores das maiores cidades do País e revelou que 31% dos entrevistados não sabe o que é saneamento básico. “Percebe-se que a população que de fato não possui o serviço acredita que o esgoto de seu domicílio é conduzido à rede municipal, quando na verdade não é”, afirma Raul Pinho, presidente do Instituto Trata Brasil, entidade que contratou o estudo ao Ibope. Pinho foi ao Congresso Nacional em Brasília esta semana para apresentar o estudo.

Pesquisas revelaram também que a falta de coleta e tratamento de esgoto - e a consequente contaminação da água por coliformes fecais - é a principal causa da mortalidade de crianças de zero a cinco anos de idade por diarréia e doenças parasitárias, enfermidades que proliferam em áreas sem saneamento básico. Sete crianças morrem todo dia no País, em decorrência de diarréia. Por ano, são mais de 2.500 crianças menores de cinco anos vítimas da doença que prolifera em áreas sem tratamento de esgoto.

Os aportes financeiros necessários à universalização do saneamento no Brasil, segundo estudos do Ministério das Cidades, alcançam R$ 270 bilhões, nos quais não estão incluídos recursos para atender o aumento da população nem a reposição de materiais e equipamentos que, na grande maioria das cidades, já estão com a vida útil vencida há alguns anos.

Considerando-se o prazo de 20 anos para atenuação do déficit no saneamento, seria necessário o investimento de R$ 13,5 bilhões por ano, sendo que o País tem investido menos de 1/3 dos recursos necessários, ou seja, o déficit continua crescendo ano a ano.

 

SINDAGUARN.COM.BR
Secretaria de Comunicação do Sindágua/RN

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