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ANISTIA, 30 ANOS - AÇÚCAR AMARGO
Por José Melquiades N. Filho *

sábado-feira, 19 de setembro de 2009 - 12h00

No dia 28 de agosto de 1979, o regime ditatorial no Brasil perdeu forças, com a então aprovação da lei de anistia, grande conquista obtida pelos movimentos populares, pois foram dez anos de descaramento administrativo e vergonha nacional com repercussão internacional.

Desta forma, grande parte do mundo tomou conhecimento da imposta deserção e dos horrípilos cárceres daqueles que tanto colaboraram para a formação intelectual e política do povo brasileiro.

O ofício que instituiu tão grande carnificina psicológica e física se deu no ano de 1968 com a oficialização do ridículo, neofóbico e necrolático AI-05, que perdurou até 1978. Motivadas pela obtenção de fúteis e lastimáveis resultados referente a funestos episódios das atrocidades outrora sofridas, as vítimas se fizeram presentes na Câmara Municipal de Natal numa sessão ocorrida no dia 2 setembro de 2009. A solenidade foi protagonizada pelo vereador George Câmara (PC do B) e foi uma oportunidade para as vítimas expor, de forma gradativa e enérgica, as minúcias das dificuldades do espinhoso, entretanto, vitorioso caminho percorrido no período acima citado.
Além da presença maciça dos sobreviventes do Rio Grande do Norte estiveram presentes familiares e amigos.

Alguns camaradas prejudicados naquela época foram o escritor Mery Medeiros, presidente da Associação dos Anistiados Políticos do RN e ex-funcionário do Sindágua/RN, e o Luciano de Almeida, Presidente de honra dos anistiados políticos do Rio Grande do Norte. Eles fizeram explanações ao Plenário da Câmara de Natal a respeito do assunto e posteriormente deram entrevista às emissoras de televisão e jornais da capital.

Para um dos jornais, disse Mery que em uma das torturas sofridas por ele, foi “ficar dentro de uma câmara fria até a sola dos pés cair”. Já o companheiro Vereador George Câmara relatou, “Nenhum país avança, em matéria de democracia, escondendo a sua história. Mesmo aquilo que acontece de ruim é preciso ser lembrado, até para não ser repetido no futuro”.

A Diretoria do Sindagua/RN se fez presente e captou todas as informações pertinentes.

Quero dedicar estas linhas ao vereador George Câmara protagonista da sessão realizada em comemoração aos trinta anos da “Lei da Anistia” como também a todos que se debruçaram nesta incansável luta.

Finalizando digo, “aqueles que lutaram e lutam pelo bem estar da coletividade continuarão sempre vivos na mentes dos automóveis humanos”.

( * ) Secretário de Organização do Sindágua/RN

 

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