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Alberto
Moura: "A Caern está sucateada"
"Para onde vai esse
dinheiro?", é o questionamento do presidente do
Sindicato da água (Sindágua), Alberto Moura
em relação às contas da CAERN.
quinta-feira,
26 de fevereiro de 2009 - 14h03
Foto:
Ney Douglas
Lissa
Solano
"Para onde vai esse dinheiro?",
é o questionamento do presidente do Sindicato da água
(Sindágua), Alberto Moura em relação
às contas da Companhia de águas e esgotos do
Rio Grande do Norte (Caern), que de acordo com ele gasta R$
23 milhões por mês recebendo apenas R$ 20 milhões.
O presidente do sindicato denunciou que os contratos assinados
pela Caern são superfaturados e tem o intuito de beneficiar
as empresas terceirizadas. Ele ainda acusou a administração
da Caern de má administração. Um reflexo
disso seria a falta de água em alguns bairros de Natal.
A primeira irregularidade da Caern apresentada
por Alberto Moura diz respeito ao contrato com a Hidraconsult
para fiscalizar a execução das obras de esgotamento
sanitário do Baldo. Em um ano o serviço teria
o custo de R$ 1.939.661,90. Contudo, a empresa fez um termo
adicional de gastos que reduzia o valor em R$119 mil e quatro
meses depois pediram em outro termo aditivo o aumento de R$
452 mil, totalizando o serviço em R$ 2.390.694,38.
O problema apresentado pelo presidente do Sindágua
é que não haveria necessidade de contratação
desse serviço por que a Caern tem corpo técnico
para isso, o que para ele indica o beneficiamento da terceirizada.
Além disso, o serviço contratado era de fiscalização
que não necessitaria de mais de R$ 2 milhões
para isso.
Da mesma forma aconteceu com o contrato da
Caern com a Protur, que presta o serviço de locação
de veículos. De acordo com Alberto Moura, a companhia
tem veículos e motoristas próprios, mas pagou
R$ 3,5 milhões mais R$ 30 mil mensais, para a locação
de 106 veículos, deixando os que são de propriedade
parados. Além disso, o presidente ainda revelou que
a empresa contrata outra empresa para locação
de motos, por R$ 700 a diária. "Com esse dinheiro
dava para comprar varias motos. Mas, eles não querem
porque o intuito é favorecer as empresas", disse
Moura.
Outro caso aconteceu em 2007, com o contrato
da empresa Delloit para elaborar o Plano de Cargos, Carreira
e Salário (PCCS) dos funcionários. Somente este
serviço custou a Caern R$ 330 mil. Mesmo assim, se
acordo com Alberto Moura a empresa não chegou a analisar
várias questões importantes, como a maturidade
profissional. "A empresa realizou um trabalho ruim. Mesmo
sendo um benefício, 60% dos profissionais desaprovam
o formato do plano".
Ainda nos benefícios sugeridos pelo
Ministério do Trabalho, o presidente do Sindágua
revelou que a Caern fez um contrato com a Hapvida para o plano
de saúde dos funcionários. Em setembro de 2008
encerrou o período de termo aditivo do contrato, no
período a Caern elaborou uma comissão para elaborar
esse termo, mas segundo Moura foi apresentado um termo totalmente
modificado, a proposta do aditivo era de R$ 4.597.856,19.
"Não existe motivo para o aditivo. 67% dos funcionários
estão insatisfeitos com o plano". Contudo, o presidente
do sindicato informou que a questão foi suspensa, mas
depois eles souberam que o acordo de mais de R$ 4 mi foi dado
pela Caern. "Eles modificaram para favorecer a Hapvida",
acusou Moura.
Falta de água
Segundo Alberto Moura, a má administração
da Caern tem prejudicado a população que sofre
com a falta de água que ocorre principalmente na Zona
Sul e Oeste de Natal. De acordo com a moradora do bairro Felipe
Camarão, Maria de Lourdes da Silva, o maior problema
vivido por ela no bairro é a falta de água.
"Só chega água a noite e não tem
força para subir para a caixa dágua", disse.
Ainda segundo Lourdes, chega a passar três dias sem
o abastecimento de água no bairro, e como ela não
tem cisterna para armazenar a água, ela tem que esperar
o fornecimento ou comprar água mineral que custa caro
e pesa na sua renda.
Contudo, de acordo com o presidente do sindicato,
a Caern tem água suficiente para abastecer Natal e
o Estado. O sindicalista revelou que problema só acontece
devido às tubulações da Capital serem
muito antigas, mas como a Caern têm muitas dívidas
com fornecedores, eles não estão vendendo mais
os produtos, como cano de PVC para substituir os mais antigos
de Amianto.
A falta de organização é
tão grande que de acordo com Alberto Moura a Companhia
Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) teria cortado
a energia em uma das sedes da empresa, o que impediu a distribuição
da água para regiões do interior do Estado.
Em contra partida os altos contratos continuam sendo fechados.
Reivindicação
O presidente do sindicato disse que há
um ano o Sindágua solicitou uma audiência com
a Governadora para apresentar o modelo de gestão e
sustentabilidade para a Caern, mas não houve retorno.
"Queremos uma auditagem na empresa para entedermos como
esse dinheiro esta sendo gasto", disse taxativo.
Ele anunciou que caso não seja dada
nenhuma resposta ao sindicato, os funcionários vão
se reunir em frente à casa da governadora para exigir
que alguma medida seja tomada e as explicações
sejam dadas. |